"Os textos reunidos abordam assuntos banais. Convocam experiências e vivências do nosso quotidiano: relações entre grupos, figuras do grotesco e do barroco, publicidade, vídeos musicais, usos do corpo, hipermercados, romarias, ícones populares, futebol, férias dos emigrantes... Compõem um mosaico desordenado. Cada texto é um exemplar único, com contornos e história próprios, que vale por si. Mas também é um exemplar de uma série que, obra da mesma mão e do mesmo jeito, comunga um destino ou uma propensão. É esta costura que empresta alguma unidade ao conjunto. Os textos não são proféticos nem exegéticos. Não sondam causas profundas nem mecanismos ocultos. Nada de princípios, consequências ou sentidos últimos. Sabendo que não somos “mais capazes de chegar ao centro das coisas do que de lhes abraçar a circunferência” (Pascal, 1998: 37), não nos aventuramos para além do que nos é dado enxergar. O nosso movimento não é de ultrapassagem mas de aproximação. Limitamo-nos a abordar fragmentos da realidade, atendendo, sobretudo, às suas dobras e viscosidades, aos seus paradoxos e labirintos, às suas alquimias e vertigens, em suma, à sua perversidade. Perversidade que mora tanto na realidade quanto no próprio olhar, um olhar sensível à pragmática do desvio, à tectónica da aparência, à curvatura dos extremos e à banalidade do insólito. Parafraseando Marx (1976:4), os sociólogos têm-se limitado a explicar o mundo de diversas maneiras; importa complicá-lo. Com humor e alguma ironia, uma ironia própria de quem se inclui na realidade visada (Lukacs, 1979: 69-70). E se essa realidade se contorce em dobras e desvios, não nos parece ser nossa vocação endireitá-la."
Albertino Gonçalves é licenciado em Sociologia pela Universidade de Paris V – Sorbonne (1981) e doutorado em Sociologia pela Universidade do Minho (1994), onde fez a agregação no grupo disciplinar de Sociologia (2005).
Tem leccionado, desde 1982, disciplinas da área da metodologia das ciências sociais e da sociologia da cultura, dos estilos de vida e da arte. Foi director do Departamento de Sociologia (1996-2000; 2002-2004), do Núcleo de Estudos em Sociologia (2002-2004), do curso de mestrado em Sociologia da Cultura e dos Estilos de Vida (2000-2009) e do curso de mestrado em Sociologia (2007-2009).
É coordenador dos cursos de pós-graduação do Instituto de Ciências Sociais, membro da comissão instaladora da Casa Museu de Monção e investigador do Centro de Estudos Comunicação e Sociedade.
Colaborou, a pedido das entidades envolvidas, no estudo da inserção profissional dos licenciados pela Universidade do Minho (1997-1998), na implementação da rede social dos municípios de Melgaço e Vila Nova de Cerveira (2003-2005), na caracterização da actividade florestal nas regiões Norte e Centro (2001-2002), no levantamento das perspectivas de desenvolvimento dos municípios de Ribeira de Pena (2003-2005) e de Monção (2006-2008), no diagnóstico das necessidades de formação profissional dos municípios de Guimarães, Fafe e Vizela (2004-2007), no Projecto Dar Vida às Letras, do Vale do Minho (2005-2008), na criação do Espaço Memória e Fronteira em Melgaço (2005-2007) e no acompanhamento da Revisão do Programa Operacional do Parque Nacional da Peneda-Gerês (2007-2009).
No que respeita a livros publicados, é autor de Imagens e Clivagens: Os residentes face aos emigrantes (1996) e As Asas do Diploma: A inserção profissional dos Licenciados pela Universidade do Minho (2001); coordenador de Da Universidade para o Mundo do Trabalho (2001) e Perspectivas de Desenvolvimento do Município de Monção (2008); e co-autor de A Romaria da Srª da Agonia. Vida e Memória da Cidade de Viana (2000), Vertigens do Barroco em Jerónimo Baía e na Actualidade (2007) e Dar Vida às Letras: Promoção do Livro e da Leitura (2007).
Actualizado em:
2 de Dezembro de 2009